Leila Longo Romão procurar mobilizar os empresários lojistas da região

Lojistas lutam contra ganância da indústria dos cartões

05/05/2009 18:44 - Acessoria de Imprensa CDL Caçador



O presidente da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Junior, liderou a manifestação dos dirigentes de Federações e de várias CDLs do País que participaram de audiência pública sobre a questão dos cartões, promovida pela Frente Parlamentar Mista do Comércio Varejista, dia 22 de abril, em Brasília. A frente é presidida pelo deputado federal Paulo Bornhausen (DEM/SC) e o senador Adelmir Santana (DEM/DF). No evento, foi debatido um amplo relatório produzido pelo BC e as secretarias de Acompanhamento Econômico e de Direito Econômico, vinculadas ao Ministério da Fazenda, com uma radiografia deste mercado e estabelecendo comparações com as práticas em outros países. Para o presidente da CNDL, a luta contra a ganância da indústria dos cartões de crédito é a principal bandeira do movimento lojista.

"Nosso esforço é a favor dos consumidores, pois os lojistas não suportam os custos impostos pela ganância da indústria dos cartões e repassam ao preço final dos produtos. Sem encargos tão pesados, o preço final pode cair, beneficiando quem compra à vista", observou Pellizzaro Junior.

A presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Caçador, Leila Longo Romão, manifestou-se sobre este assunto que está presente em todas as conversas e encontros de lojistas. "O dinheiro plástico (cartão) representa um avanço nas relações comerciais. Porém, é necessário e urgente que as administradoras de cartões diminuam as taxas cobradas aos empresários lojistas e o prazo de ressarcimento às empresas, de forma que esse custo não faça diferença na formação do preço final dos produtos e serviços. O consumidor não sabe por exemplo que na venda à vista ou à prazo, as operadoras ficam com uma parte do valor pago, e levam um longo prazo para ressarcir o valor da compra ao lojista", ressalta Leila, dando ainda o exemplo de uma pequena mercearia de seu conhecimento, que segundo ela, entre aluguel das máquinas de cartões e taxas, paga mais para as operadoras de cartões do que paga de impostos ao Governo. "È dinheiro que não acaba mais, estamos criando um quarto poder no Brasil", exclama a presidente da CDL/Caçador.

Na audiência pública em Brasília, além de diversos parlamentares, participaram autoridades do Banco Central, dos ministérios da Justiça e Fazenda e ainda vários representantes do segmento lojista, como Sergio Medeiros, presidente da FCDL/SC, Roberto Alfeu Pena Gomes, presidente do SPC Brasil e da CDL de Belo Horizonte (MG), Nival Martins Silva Junior, superintendente do SPC Brasil, Antonio Augusto, sindivarejista do DF, Vitor Augusto Koch, presidente da FCDL/RS, Joaquim Fonseca Júnior, presidente da FCDL/BA, Marcelino Campos, presidente da CDL de Blumenau (SC), Vicente Estevanato, presidente da CDL do Distrito Federal, Vilson Noer, presidente da CDL de Porto Alegre (RS), José Alves de Lima Júnior e João Araújo Sobrinho, respectivos diretor e ex-presidente da CDL de Fortaleza (CE). "Vamos mobilizar as CDLs a procurarem os parlamentares de suas respectivas regiões, para que assumam nossa bandeira", informou Roque Pellizzaro Junior.

Convidadas, as empresas que representam as principais bandeiras de cartões no país e a ABEX, associação do setor, não compareceram à audiência pública.

Entenda porque os lojistas e os consumidores devem se mobilizar contra a ganância da indústria dos cartões:

  • O consumo das famílias brasileiras representou 1,7% do PIB de 2008 (R$ 2,9 trilhões) e 19% dele foi originado de despesas com cartões, o que significa R$ 350 bilhões, em especial das classes de baixa renda;
  • A indústria dos cartões de crédito faturou R$ 35 bilhões em taxas de administração e antecipações, o dobro do que representam as exportações do Brasil para a Argentina. Essa receita, paga pelos lojistas, poderia significar produtos com preços finais mais baixos e maior consumo, gerando mais emprego e renda;
  • Uma empresa varejista de porte médio, onde trabalhem o casal proprietário e outros quatro colaboradores, faturando em média R$ 50 mil mês, paga mais às administradoras de cartões (cerca de R$ 5,5 mil) do que folha salarial;
  • Já uma microempresa, optante do Simples e R$ 4 mil de faturamento/mês, onde trabalhem o dono e um colaborador, pagará R$ 800 mensais com os cartões, mais do que aluguel e imposto;
  • O Brasil é uma fonte de receita extraordinária por conta do aluguel das máquinas de processamento de cartões: há 1,5 milhão delas em operação e com o aluguel médio de R$ 120 (variam entre R$ 80 e R$ 200), geram um faturamento de R$ 200 milhões mensais;
  • A ampla maioria das operações com os cartões de crédito envolve famílias de baixa e média renda, onde os riscos de serem vítimas de armadilhas contratuais é maior. Os juros do crédito rotativo são de 12%, os mais altos do mercado;
  • A inadimplência entre cartões chegou a 41%;
  • No Brasil o prazo de repasse aos lojistas é de mais de 30 dias, enquanto na Europa e nos Estados Unidos é de somente 48 horas. Nos países vizinhos (Chile e Argentina) costuma ser de no máximo sete dias.


O conteúdo da matéria é de inteira responsabilidade do autor

[ Comentar ]

Os comentários não refletem a opinião do site ou do autor da matéria